A Diretora-Geral de Política do Mar, Marisa Lameiras da Silva, participou no dia 1 de outubro, na sessão Plenária II do 22.º Encontro Nacional de Engenharia Sanitária e Ambiental (ENaSB) e do 22.º Simpósio Luso-Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental (SILUBESA), que decorre entre 30 de setembro e 2 de outubro, na Universidade do Algarve, em Faro.

Diretora-Geral DGPM na evento ENaSB SILUBESA

Sob o tema “Da Escassez da Água à Criação de Valor”, o 22.º ENaSB | SILUBESA 2026 reúne representantes governamentais, entidades reguladoras, operadores, academia, empresas e organizações nacionais e internacionais, promovendo a discussão sobre os principais desafios associados à gestão da água, ao saneamento, aos resíduos e à sustentabilidade ambiental.

O encontro decorreu num contexto marcado por profundas transformações, em que as alterações climáticas e a ocorrência de fenómenos extremos colocam desafios crescentes à gestão dos recursos hídricos. A alternância entre períodos de seca e escassez de água e episódios de precipitação intensa, associados a cheias e inundações, exige respostas cada vez mais robustas, integradas e adaptativas.
 
Neste contexto, a gestão da água assume uma dimensão estratégica, impondo uma maior diversificação das suas origens e uma utilização mais eficiente e circular dos recursos. Aos recursos hídricos convencionais juntam-se as águas pluviais, a dessalinização e a reutilização de águas residuais tratadas, enquanto soluções que podem contribuir para assegurar disponibilidade, qualidade e sustentabilidade.
 
A digitalização e a inteligência artificial constituem igualmente ferramentas relevantes no apoio à tomada de decisão, otimizar sistemas e antecipar riscos, contribuindo para uma gestão dos recursos mais eficiente e resiliente perante um cenário de crescente complexidade e imprevisibilidade.

Microplásticos no Mar: desafios e caminhos para a Ação

É neste enquadramento que se insere a participação da Diretora-Geral de Política do Mar na sessão Plenária II – “Microplásticos no Mar: Desafios e Caminhos para a Ação”, dedicada às origens e aos impactos nefastos da poluição por microplásticos nos ecossistemas marinhos, bem como às estratégias de prevenção, monitorização e mitigação.

Marisa Lameiras da Silva reforçou, igualmente, a importância de uma abordagem integrada na definição e implementação de políticas públicas para o Oceano, promovendo a articulação entre conhecimento científico, inovação, gestão dos recursos e proteção dos ecossistemas marinhos e costeiros.

A contaminação por microplásticos com dimensão inferior a cinco milímetros, resultam tanto da degradação de resíduos plásticos de maiores dimensões como de fontes primárias, estando atualmente disseminadas no meio marinho, desde a superfície até aos sedimentos, o que constitui um desafio ambiental de dimensão global.

As suas origens são diversas e incluem, entre outras, fibras libertadas por têxteis sintéticos, partículas provenientes de atividades industriais e a degradação de materiais plásticos no ambiente. O transporte através dos rios, das águas pluviais e dos sistemas de drenagem constitui também uma das vias de chegada destes materiais ao meio aquático.

A complexidade deste fenómeno exige uma abordagem integrada, que articule prevenção, inovação tecnológica, conhecimento científico e políticas públicas. Entre as respostas necessárias encontram-se a redução da utilização de plásticos descartáveis, a melhoria dos sistemas de gestão de resíduos, o desenvolvimento e reforço de tecnologias de tratamento e a harmonização das metodologias de monitorização.
 
A gestão dos microplásticos requer, assim, uma resposta ao longo de todo o ciclo, desde a redução na origem até à proteção dos ecossistemas, envolvendo de forma articulada os setores da água e dos resíduos e os padrões de produção e consumo.
 
A sessão contou com diferentes perspetivas de organizações internacionais, instituições científicas e entidades públicas com responsabilidades na gestão e proteção do meio marinho, promovendo a reflexão sobre prevenção, monitorização e redução da poluição por microplásticos, bem como sobre o contributo da ciência, da inovação e da cooperação internacional para responder a este desafio ambiental de dimensão global.

Conhecimento e cooperação para respostas mais sustentáveis

Organizado pela APESB – Associação Portuguesa de Engenharia Sanitária e Ambiental, em parceria com a ABES – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental e a APRH – Associação Portuguesa dos Recursos Hídricos, o 22.º ENaSB | SILUBESA pretendeu promover a discussão sobre o planeamento, conceção, valorização e gestão dos serviços e infraestruturas de abastecimento de água, drenagem de águas residuais e pluviais e gestão de resíduos.

O programa incluiu ainda a apresentação e discussão dos mais recentes desenvolvimentos científicos, inovações, soluções técnicas e recursos disponíveis para os setores da água, saneamento e gestão de resíduos, promovendo simultaneamente o intercâmbio de experiências entre profissionais, investigadores, empresas e instituições.

Ao reunir diferentes áreas de conhecimento e setores de atividade, o encontro constituiu um espaço de reflexão e partilha sobre os desafios atuais e futuros da sustentabilidade ambiental, valorizando a cooperação e a inovação como elementos fundamentais para a construção de respostas mais eficientes, resilientes e sustentáveis.

O Presidente da República, António José Seguro, é o mais recente Patrono da Aliança da Década do Oceano, juntando-se a outros Chefes de Estado e líderes globais que lideram pelo exemplo na mobilização de recursos, redes e influência em favor da Década do Oceano das Nações Unidas.

Presidente da República Portuguesa, António José Seguro, a discursar

O convite, dirigido pela Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI) da UNESCO, foi aceite pessoalmente pelo Presidente Seguro na V Conferência da Década do Oceano, em Cabo Verde, sucedendo à distinção que já tinha sido atribuída a Marcelo Rebelo de Sousa, e reafirmando a continuidade do compromisso de Portugal com a preservação marinha global.

De entre os dez Patronos que atualmente integram a Aliança, sete são Chefes de Estado ou de Governo, e dois representam países da CPLP: Portugal e Cabo Verde.

Esta dupla presença lusófona reforça a ligação da Comunidade de Países de Língua Portuguesa ao Oceano, e o papel que a língua e a cultura comuns podem desempenhar na cooperação oceânica internacional.

Ao lado do Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves – também Patrono da Aliança -, António José Seguro identificou cinco áreas essenciais para a cooperação internacional:

  • Segurança marítima

  • Pesca sustentável e aquacultura

  • Turismo

  • Financiamento azul

  • Ciência e tecnologia: a área onde, segundo o Presidente da Repúblia português, reside “uma das maiores promessas do Oceano para o século XXI”.

Com esta nomeação, Portugal reforça o seu lugar na linha da frente da diplomacia oceânica.

O F/262 – Festival Internacional de Fotografia acolheu, nas Caldas da Rainha, uma sessão dedicada à apresentação do Prémio Mário Ruivo – Gerações Oceânicas, iniciativa coordenada pela Direção-Geral de Política do Mar que distingue anualmente jovens autores de filmes sobre a importância do Oceano. O encontro contou com a participação da Diretora-Geral de Política do Mar, Marisa Lameiras da Silva, com a exibição de filmes vencedores de edições anteriores e com a partilha de testemunhos de jovens vencedoras, que recordaram o impacto que a distinção teve nos seus percursos pessoais.

Diretora-DGPM, Marisa Lameiras da Silva, a discursar no evento

Perante uma plateia atenta ao diálogo entre fotografia, imagem em movimento e sustentabilidade, a Diretora-Geral destacou o papel do Prémio Mário Ruivo na sensibilização das novas gerações para a relação entre o Oceano e o futuro do planeta, e sublinhou a importância de plataformas culturais como o F/262 para levar esta mensagem a novos públicos.

Os filmes exibidos, produzidos em edições anteriores do Prémio, ilustraram a diversidade de olhares das gerações mais jovens sobre o Oceano. Os testemunhos permitira dar voz à experiência de participar no Prémio, da conceção do filme à cerimónia de entrega, e como todo o processo contribuiu para despertar ou reforçar o seu interesse pela Literacia do Oceano, tendo, em alguns casos, influenciado escolhas académicas e profissionais ligadas ao mar.

O Prémio Mário Ruivo – Gerações Oceânicas, que homenageia o legado do Professor Mário Ruivo, pioneiro na defesa do Oceano e no lançamento das temáticas ambientais em Portugal, encontra-se atualmente na sua 6.ª edição, subordinada ao tema “O Oceano e as Profissões do Mar”. Coordenada pela DGPM, a iniciativa distingue anualmente filmes produzidos por jovens que refletem sobre o papel do Oceano nas suas múltiplas dimensões.

Esta participação insere-se no compromisso da Direção-Geral de Política do Mar com a promoção da Literacia do Oceano junto das gerações mais jovens, através de parcerias que aproximam a cultura, a criação artística e a causa do Oceano.

Foi publicado o Relatório Final da 11.ª Our Ocean Conference, realizada entre 16 e 18 de junho de 2026, em Mombaça, Quénia, que reúne os compromissos assumidos por governos, organizações internacionais, setor privado, comunidade científica e sociedade civil para acelerar a ação em prol da proteção e utilização sustentável do Oceano.

Cartaz - Our Ocean Conference 2026 - "Our Ocean, Our Heritage, Our Future."

A edição de 2026 culminou com a apresentação de 320 novos compromissos, correspondentes a cerca de 6,4 mil milhões de dólares de investimento, abrangendo seis áreas prioritárias de ação: áreas marinhas protegidas, economia azul sustentável, alterações climáticas, pesca sustentável, poluição marinha e segurança marítima. Estes compromissos reforçam a cooperação internacional na resposta aos desafios que afetam o Oceano e contribuem para a concretização do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 – Proteger a Vida Marinha.

Portugal apresenta um conjunto alargado de compromissos para a proteção e valorização do Oceano

o âmbito da Our Ocean Conference 2026, Portugal apresentou um conjunto de compromissos voluntários que reforçam a sua atuação nas áreas da conservação da biodiversidade marinha, do conhecimento científico, da economia azul sustentável, da governação do Oceano e da gestão sustentável dos recursos marinhos.

Entre os compromissos anunciados destaca-se a criação da Reserva Marinha D. Carlos, uma área marinha protegida com cerca de 173 mil km², ao largo da Madeira. Com esta iniciativa, Portugal aumentará a área marinha protegida sob jurisdição nacional de 19% para 25%, contribuindo para a concretização da meta internacional 30×30, que visa proteger 30% do Oceano até 2030.

Portugal comprometeu-se a desenvolver metodologias para quantificar o sequestro de carbono azul e a reforçar a recolha de dados sobre os fluxos e reservas de carbono no espaço marítimo nacional, promovendo uma melhor compreensão do papel dos ecossistemas marinhos na mitigação das alterações climáticas.

Ainda neste domínio, através do Programa Floresta Azul, o país irá promover a recuperação de pradarias marinhas, reconhecendo o seu elevado valor ecológico e o seu contributo para a conservação da biodiversidade, o sequestro de carbono e a resiliência dos ecossistemas costeiros.

Portugal assumiu igualmente o compromisso de criar um Biobanco Nacional de Recursos Genéticos Marinhos, reforçando a preservação e valorização do património genético marinho e o apoio à investigação científica e à inovação.
No domínio do conhecimento do Oceano, será reforçado o Centro Nacional de Dados Oceanográficos, promovendo uma gestão mais integrada, acessível e eficiente da informação oceanográfica produzida em Portugal. Foi anunciada a criação da plataforma tecnológica SEAMind 5.0, destinada à monitorização de indicadores socioeconómicos e ambientais da Economia Azul, apoiando a tomada de decisão baseada em evidência.
 
Portugal comprometeu-se ainda a elaborar um documento estratégico sobre Equidade no Oceano (Ocean Equity), que reunirá princípios, instrumentos e recomendações para promover uma Economia Azul mais justa, resiliente, inclusiva e sustentável.
 
No setor das pescas, os compromissos apresentados incluem a implementação de um período de defeso para a pesca do polvo, com o objetivo de reduzir o esforço de pesca durante a fase em que predominam exemplares juvenis, contribuindo para a conservação da espécie e a exploração sustentável deste recurso.
 
Foi igualmente apresentada a iniciativa Jovem Pescador, destinada a promover a renovação geracional no setor da pesca e da aquicultura através de incentivos financeiros, acesso prioritário ao licenciamento e reforço da formação profissional.
 
No seu conjunto, estes compromissos refletem a aposta de Portugal numa abordagem integrada para o Oceano, assente na conservação da biodiversidade, na ciência, na inovação, na sustentabilidade das atividades económicas e na promoção de uma governação mais inclusiva e resiliente.
 
A Direção-Geral de Política do Mar (DGPM)  continua empenhada a acompanhar a agenda internacional, promovendo políticas públicas alinhadas com a Estratégia Nacional para o Mar 2021-2030 e com o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14 (ODS 14): Proteger a Vida Marinha, que contribuem para a implementação dos compromissos que promovem um Oceano mais saudável, resiliente e sustentável.
 
Consulte o relatório final:

A capacidade de desenvolvimento de competências adequadas e o reforço da resiliência costeira são dois pilares fundamentais na transição para uma Economia Azul mais resiliente, competitiva e sustentável.

O Evento Nacional Conjunto Estratégia Marítima do Atlântico – Iniciativa WestMED, terá lugar Oeiras, no próximo dia 9 de setembro, dedicado ao tema “O Futuro do Oceano começa Aqui: Competências Azuis & Resiliência Costeira” e permitirá que representantes da Administração Pública, Academia, setor privado e Sociedade Civil promovam um diálogo e partilha de boas práticas sobre dois pilares fundamentais da transição azul: o desenvolvimento de Competências azuis (Blue Skills) e a resiliência costeira e saúde do Oceano.

cartaz The Future of the Ocean Starts here
Este encontro proporcionará um espaço de reflexão sobre desafios comuns nas duas Estratégias, oportunidades de cooperação e o papel da inovação, da formação e das políticas públicas na construção de um futuro mais sustentável para as regiões marítimas tendo em vista o reforço de sinergias entre as duas Estratégias, de parcerias entre diferentes atores, contribuindo, assim, para a implementação das prioridades europeias.
 
Coorganizado pelo Fórum Oceano, enquanto Hub Nacional da Estratégia Marítima do Atlântico e da Iniciativa WestMED, em parceria com a Direção-Geral de Política do Mar, enquanto Coordenador Nacional, e em articulação com o Mecanismo de Assistência para as Estratégias da União Europeia para as Bacias Marítimas e o Pilar IV da Estratégia Marítima do Atlântico – Oceanos saudáveis e resiliência costeira.